Virada a Nascente/SE, esta jovem Quinta fica situada no vale da Régua na margem direita do rio Douro na Região Demarcada do Douro - Baixo Corgo, captando soberba vista para a cidade e rio Douro. Entre neste ambicioso projecto e partilhe-o connosco (...)
Domingo, 19 de Setembro de 2010
CARTA DO MÊS DA REVISTA DE VINHOS DE SETEMBRO 2010

 

Correio do Leitor – Revista de Vinhos

 
Como já é habitual, todos os meses a redacção da Revista de Vinhos escolhe, entre a correspondência recebida, uma carta dos leitores como a carta do Mês. Pois bem, mais uma vez António Vicente proprietário desta Quinta no Douro foi o vencedor da edição do mês de Setembro de 2010.                                                     1 Imagens: Propriedade da Revista de Vinhos
  
Carta do Mês (Edição do Mês de Setembro)
Vinhas velhas, ou nem tanto
                                                   
"Vinhas velhas de pouca idade, ou vinhas novas mais velhas?
Pois é, parece um paradoxo mas afinal pode não ser. Todos falam na complexidade que podem ter os vinhos feitos
de vinhas muito velhas de um certo terroir de excepção. Vinhas de 50, 70, 100 e mais anos. Acredito numa parte de verdade dessas idades para as videira, que se traduzem normalmente em bons vinhos. Porém, nunca é dito tudo pelo seus proprietários, ou por quem "vende" a tal ideia de vinhas velhas. Por exemplo, quando se fala de uma "vinha com 70 anos" e mais, não nos dizem também que dessa plantação feita á setenta anos, somente uma pequena parte está viva (por vezes só existe 10% ou 20% da vinha original). Tendo o resto das plantas 60, 40, 20 ou mesmo só 1 ano. A não ser que o produtor não replante anualmente a vinha, e esteja quase abandonada, porque todos sabemos que todos os anos existem plantas que morrem (por desleixo, doenças, etc...). Dito isto, depressa chegamos  que essas mesmas vinhas, afinal de contas e em média têm somente 40, 20, ou menos anos. Assim sendo, compreendo que vinhas mais novas possam (mais bem tratadas) ter mais idade que vinhas supostamente "muito velhas".
Qual é a verdadeira idade da vinha?"
                             
António Vicente (Quinta das Parcelas - Douro)                                 1 Imagens: Propriedade da Revista de Vinhos

 

Resposta da Revista de Vinhos á carta premiada

 

"É certo que boa parte das vinhas velhas foram sendo replantadas ao longo das décadas e as plantas que lá existem hoje são de idades muito variadas. Mas também há diversas vinhas (conheço e fotografei muitas, do Douro à Bairrada) que são “originais”. Basta olhar uma vez para o tronco de uma cepa de Baga com 80 anos que essa imagem nunca mais se esquece.       1 Imagens: Propriedade da Revista de Vinhos

Dizer que um vinho vem de uma vinha muito velha ajuda, de facto, a vendê-lo. Em alguns casos, anunciar o vinho como sendo “produzido de uma vinha com 70 anos” não será inteiramente verdade; noutros, é. E uma vinha com 30 anos genuínos pode efectivamente ser mais velha que outra plantada há 100 anos mas que só possui duas cepas originais, tendo a maior parte da plantação sido feita há meia dúzia de anos. Mas essa não é a questão mais importante.

Como qualquer produtor de vinho sabe, a vinha velha não é, só por o ser, uma garantia de qualidade. Conheço vários casos de produtores com vinhas muito velhas (por exemplo, 70 anos) e vinhas maduras (15/20 anos) que conseguem regularmente muito mais qualidade nestas últimas. Dito isto, não é menos verdade que, com frequência, seja pela sua menor produção (que favorece a concentração) seja por outros factores mais difíceis de explicar pela ciência (que favorecem, por exemplo a complexidade de aromas e sabores) as vinhas velhas tendem a produzir qualidade superior.

Mas o que é que pode ser considerado vinha velha? 30 anos? 50? 80? E porque é que uma vinha meio abandonada, com 80 anos “certificados”, deverá produzir melhor vinho que outra de 40? Existem poucas certezas absolutas no mundo do vinho, e a questão da vinha velha não é certamente uma delas. Com os meus cumprimentos"

Luis Lopes  In Revista de Vinhos (LL) edição nº ..., pág.30              1 Imagens: Propriedade Quinta das Parcelas


 

 

O PRÉMIO ATRIBUIDO

 
O autor da carta premiada neste mês de Setembro de 2010 que merecidamente alcançou com o seu texto de opinião, ganhou uma garrafa de FSF - Fernando Soares Franco, vinho Regional Terras de SadoTinto 2005 em caixa individual. A casa José Maria da Fonseca que patrocina esta secção do Correio do Leitor da Revista de Vinhos, faz questão de a entregar em sua casa com respectiva ficha técnica.
 2 Imagens: Propriedade José Maria da Fonseca


sinto-me: A colaborar neste paradigma
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publicado por quintadasparcelas às 16:25
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